9 de jan de 2016

ABSURDO EM MADAYA

   Vocês sabiam que quando o ser humano fica sem se alimentar por um longo período, o organismo começa a reagir descontroladamente pois sofre profundo estresse. Nas primeiras 24 horas o corpo começa a esgotar o glicogênio ( reserva energética encontrada nas células dos músculos e fígado), o metabolismo fica mais lento, surgem as fortes dores de cabeça, tonturas, insônia e muito mau humor. Se, além da falta de alimento, o corpo sofrer privação de água, a situação é terrível. A desidratação provoca quedas de pressão, convulsões, danos cerebrais e até paradas cardíacas.
   Terrível né? Agora imagina crianças passando por todo esse sofrimento. Pois é, esta semana a MSF (organização dos Médicos Sem Fronteiras), anunciou que 23 pessoas morreram de fome na cidade de Madaya ( Síria) desde 1° de dezembro. Além disso, tem mais de 250 casos de desidratação aguda e 40 mil pessoas, sendo metade delas crianças, que precisam de assistência imediata.
   Desde janeiro de 2011 a Síria está em guerra civil, provocando a morte de 250 mil pessoas. Muitos se arriscam tentando abandonar o país, fugir da guerra e acabam com um final trágico, como foi o caso do garoto Sírio encontrado morto numa praia da Turquia que chocou o mundo.
   Desde outubro a entrada de alimentos está bloqueada em Madaya e a cidade está cercada por minas terrestres, ou seja, ninguem sai e ninguem entra. Porém os ativistas divulgaram imagens de crianças extremamentes magras que estão a dias sem se alimentar e isso fez com que o governo Sírio permitisse a entrada da ONU para distribuir ajuda humanitária.
   É um absurdo essa briga de poderes, essa ganância estúpida, essa falta de humanismo por parte daqueles que se acham os maiorais. Em meio a tantos acordos quebrados, a tantos apertos de mão falsos, a tantas palavras iludidas, a caminhões que matam, estouros ensurdecedores, a poças de sangue, a tantos sofrimentos e balas espalhadas pelo chão, estão aqueles que querem paz, amor, aqueles que pagam o preço com a vida, que derramam lágrimas de sangue, pobres inocentes de infancia roubada tentando sobreviver em uma terra tão bonita, cheia de praias encobertas por ruínas e que está tão longe de ser chamada de "meu País".

Sibely Martello Vilches


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