12 de jan de 2016

O COLECIONADOR DE SORRISOS

O vento que acariciava seu corpo era frio. O dia cinzento revelava as folhas que forravam o chão da varanda. A cadeira de balanço, onde ele estava sentado, fazia um trec...trec...irritante, mas não se importava, acho que nem percebia isso. Estava mergulhado em uma tristeza profunda, nada tinha graça, olhar cabisbaixo. Perdera o sentido da vida.
Então ele ouviu uns estalos, levantou os olhos devagar, sem mover qualquer outra parte do corpo. Pode ver uma criança que caminhava agitada, brincando de estalar as vagens que caíram ao chão. Cabelos esvoaçados e um vestido simples todo florido. A criança olhou para ele que, mais que depressa baixou o olhar novamente. Não gostava de encarar olhares. Mas pode sentir que ela se aproximava. Ficou apreensivo, irritado interiormente, imóvel como uma estátua. Fechou os olhos fingindo dormir.
Depois de alguns minutos de silêncio, abriu os olhos novamente, e, então ele viu algo tão lindo, algo que a muito tempo não via. A criança estava ali, na sua frente, olhando para ele com um sorriso no rosto. Era lindo aquele sorriso, iluminou tudo ao redor. Ela não disse nada, mas seu sorriso dizia "Oi, você está bem?". Se afastou correndo e brincando com as folhas que voavam com o vento que agora nem era tão frio. Ele ficou ali, olhar brilhante que observava a criança se afastando, toda iluminada, sorrindo.
Pode ver que o sol brilhava e que as flores do jardim tinham cores diferentes. Notou que o trec...trec...da cadeira era chato. Levantou-se devagar e caminhou até a grama que estava molhada com o orvalho. Tocou sua própria face acariciada pela brisa suave e notou, pelo contorno de seus lábios, que também sorria.

Sibely Martello Vilches



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